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A valorização dos bens culturais

A cultura é determinada pela forma de agir do homem e nasce de um processo de transformação do meio, da organização social, da habilidade técnica, da religiosidade, dos usos e costumes.

Ao agir, o homem atua culturalmente, apoiado na cultura e dentro de uma cultura “que são formas materiais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais agem e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas à geração seguinte”.

Ao se tornar consciente de sua existência individual, o homem não deixa de conscientizar-se também de sua existência social, ainda que este processo não seja vivido de forma intelectual. Os valores culturais vigentes constituem o clima mental para o seu agir.

Como ser que percebe e se interroga, o homem é levado a interpretar todos os fenômenos; nessa tradução, o âmbito cultural transpõe o natural, dentro de si, confrontam-se dois pólos: a criatividade (potencial inerente ao homem) e sua criação que será a realização dessas potencialidades dentro do quadro de determinada cultura. O “bem cultural” nasce portanto com o “fazer” criativo do homem, fruto de sua capacidade em transformar a matéria, dando-lhe uma nova forma. Isto sim é um “bem cultural” colocado a serviço da cultura e da historia.

Valorização da cultura local, a valorização da memória e da identidade cultural, valorização das artes como expressão da cultura

Não é sem propósito que os três segmentos se iniciam com a palavra valorização. Qualquer diálogo, para que aconteça, deve ter algo que o estimule e quebre as reservas por ventura existentes entre as partes envolvidas. No caso específico do diálogo com as realidades e identidade da cultura local, o primeiro gesto concreto é testemunhar um interesse verdadeiro pelas coisas que a elas dizem respeito.

Detenhamo-nos um pouco sobre a importância das referências culturais observando a vida humana no dia de hoje em uma Metrópole. Uma boa parte da população é formada por migrantes, alguns de outras regiões estados ou do país, ou de outras nacionalidades, vivendo distante de suas regiões de origem, de sua parentela, de suas referências culturais. Uma outra parte, ainda que tendo na própria cidade sua história, sua parentela e suas referências culturais, vive delas apartado pelo corre-corre cotidiano, o desemprego, o problema habitacional ou do transporte, etc.. Há para a grande maioria uma dificuldade imensa de acesso ao lazer e a vida comunitária.

Sobre tudo isso desaba a ação terrível dos meios de comunicação de massa, particularmente a televisão, que mostra a todos uma vida artificial, distante de suas referências, impossível de ser alcançada, desagregadora da família e de tantos valores necessários à vida do homem.

Nessa descrição – que pode ser tida como exagerada quando enfocada em cada pessoa individualmente, mas que é verdadeira quando colocada sobre o conjunto da cidade – encontramos como sinal mais visível do drama do homem de hoje na metrópole a perda da sua identidade e referência cultural.

O significado de referências culturais é o conjunto de ações e sentimentos de cada homem, indispensáveis a cada pessoa humana, se assim quisermos considerá-la. O enraizamento, que é esse conjunto de referências culturais, vai muito além do que pode ser identificado, medido ou registrado e se constitui num direito humano fundamental, mesmo se ainda hoje não é assim considerado.

O enraizamento é talvez a necessidade mais importante e mais desconhecida da alma humana. É uma das mais difíceis de definir. Um ser humano tem raiz por sua participação real, ativa e natural na existência de uma coletividade que conserva vivos certos tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro. Participação natural, ou seja, ocasionada automaticamente pelo lugar, nascimento, profissão e meio. Cada ser humano precisa ter múltiplas raízes. Precisa receber a quase totalidade sua vida moral, intelectual, espiritual, por intermédio dos meios dos quais faz parte naturalmente.

O homem enraizado em suas referências culturais tem o equilíbrio necessário para progredir e colaborar na construção cotidiana da vida de sua comunidade. É feliz assim. Não vivi dignamente o homem arrancado de suas referências. E com toda segurança pode-se afirmar que o desenraizamento cultural “é de longe a doença mais perigosa das sociedades humanas”.

As pessoas desenraizadas ou caem na inércia da alma ou descambam para a violência. Sem boas perspectivas para o futuro, com um presente tão sofrido e sem uma referência cultural que valorize sua humanidade ele fica levado para a inércia da alma ou descambar para a violência.

Reconstruir as pontes quebradas entre a vida, sua identidade e a cultura deixada para trás, e o momento presente, geralmente tão difícil, não é uma tarefa simples, muitas dificuldades a superar. Mas é possível o nascer de um novo modo do relacionar-se de comunidade resgatando suas referências culturais, tornando mais humana a vida social.


OBJETIVO GERAL

Promover a mobilização da comunidade local para o resgate cultural através da valorização da memória do patrimônio, da identidade cultural e valorização das artes e ofícios.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Resgate dos hábitos,
  • Resgate da culinária;
  • Recomposição dos contos e lendas,
  • Resgate dos contadores de causos e das historias dos antepassados;
  • Resgate das festas comemorativa e Ações Sociais;
  • Reorganização dos calendário das festividades da comunidade;
  • Resgate das artes imateriais e materiais:
  • Danças , cantos , rituais, vestimentas e artesanatos ;

METAS
  • Sensibilizar a comunidade para o reescrever, o recontar, o remontar , o reencontrar de sua historia e identidade cultural através das Artes e Ofícios;
  • Implementar a construção do espaço adequado ao resgate de seus hábitos culturais;
  • Mobilizar as lideranças comunitárias para encontros com outras comunidades, com bases nas expressões religiosas e culturais.

ASPECTOS GLOBAIS
  • Durante todo processo de execução do projeto serão realizadas oficinas vivenciais englobando todas as expressões da cultura religiosa, mostras artesanais, coreografias, danças, cantos, encenações do cotidiano das comunidades;
  • Sustentabilidade das Ações;
  • Através da mobilização comunitária agregar-se-ão valores humanos estratégicos.
  • A proposta é administrar não a luz da política partidária, mas da eficiência do Impacto social positivo.

CITAÇÕES
  • Wiel Simone
  • Delors Roberto Carneiro
  • Silvestre Rosângela.