Chico Xavier: O maior Brasileiro de todos os Tempos

O Homem que conheci!

“Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido a provas e até rejeição”. (Chico Xavier)

Com uma infinidade de livros, preces, mensagens, frases, Chico Xavier nos mostra os grandes feitos de caridade, humildade e simplicidade, que sempre envolveram a sua vida.

Um ser humano diferenciado, conhecido em todo o mundo e deixando marcas profundas de amor e solidariedade por onde passava. Com uma disputa ainda acirrada, onde concorria com nomes relevantes da história do Brasil, no dia três de outubro de 2012, na sede do SBT, em São Paulo, foi eleito “O Brasileiro de todos os tempos”, enchendo de orgulho os uberabenses, a família espírita e a sua terra natal.

Chico Xavier para nós é um Gandhi, uma Madre Teresa de Calcutá, pois direcionou sua vida para a prática do bem, amando seus semelhantes, sem nenhum preconceito de credo, raça, posição social, eram todos iguais, como pregou o Cristo.

Quantas cabeças obsecadas pelo suicídio ele salvou, mostrando o nosso bem maior: a vida. Quantos corações partidos pela perda de um ser querido, ele mostrou o caminho da compreensão e aceitação,

fazendo com que seus corações voltassem a sorrir junto com os lábios. Por morarmos em Uberaba, pessoas nos procuravam para encontrá-lo, expôr seus problemas e ouvir suas palavras sábias, que se transformavam em otimismo e alavancavam a fé, perdida nos percalços da vida.

Houve uma época em que fui um de seus médicos. Chamado em sua casa para atender dona Conceição que lá trabalhava, terminando a consulta perguntei:

– Onde está o nosso grande mestre?

– Dormindo, estou até preocupada porque quando descansa é sempre muito rápido. O senhor poderia olhar a pressão?

Preocupado, pedi licença para entrar e seu quarto. Imediatamente após examiná-lo, percebi que ele não estava bem. Telefonei para seu médico de sempre, Dr. Eurípedes Tahan, que , atendendo com presteza e muito carinho, levou-o para o Hospital Hélio Angotti, acompanhado pelo seu filho.

Passados uns dias, pois ele ficou um longo período no hospital, fui visitá-lo. Recebeu-me com aquele sorriso inconfundível; estava alegre e feliz, pois à sua cabeceira, tratando-o com o maior carinho e amor, estava seu filho do coração, Dr. Eurípedes Higino. E Chico falava sobre o apoio e a presença constante de seu filho querido. Beijou minha mão e disse: “o senhor me salvou”!

Outro episódio que marcou a vida de minha família sobre a caridade

e assistência espiritual de Chico Xavier aconteceu quando meu pai, em Três Pontas, foi procurado por um fazendeiro amigo de nossa família. Ele estava completamente confuso, não sabendo mais o que fazer. Sua esposa , portadora de doença mental com extrema agressividade, não tinha como conviver com a família. Foi levada a vários médicos, em São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros locais que lhe indicavam. Já havia feito uma peregrinação médica.

Sabendo das qualidades de Chico, pediu que meu pai entrasse em contato comigo para ver se conseguiria ser atendido; ele a traria a Uberaba. Conversei com Dr. Euripedes, e, com a maior amabilidade e presteza de sempre, agendou a data. Quando a senhora chegou a Uberaba, vindo em uma ambulância com o marido, dois seguranças e algemada, meus dois filhos e eu fomos ao encontro para levá-los ao local indicado.

Chico estava nos esperando, pediu que a levasse para um quarto e retirassem imediatamente as algemas. Os seguranças e o marido ficaram preocupados, mas obedeceram. Com sua calma, bondade, Chico aproximou-se. No silêncio profundo em que estávamos ouvimos a voz clara: “filha, quem está a seu lado é um grande espírito de luz da sua terra: Padre Vitor; ele vai curá-la”!

Colocou as duas mãos em sua cabeça e iniciou baixo uma prece dentro de uma enorme concentração. De repente, não acreditávamos no que estávamos vendo: a senhora que rolava pelo

chão e gritava, parou os gritos e, calmamente, sem a mínima ajuda levantou-se. Era uma outra pessoa. Rezamos também e as lágrimas caíram, lavando toda aquela cena, nos parecendo ter sido um pesadelo.

Voltou para Três Pontas não sentindo mais nada, sendo esperada com uma grande recepção para expressar toda a felicidade e a alegria da família. Quando fomos ao Sul de Minas já estava agendado um almoço na fazenda, onde passamos horas agradáveis ao seu lado, estava curada! Para quem não sabe, é oportuno dizer, que o espírito de luz “Padre Vitor” foi pároco em Três Pontas por muitos anos, tendo feito vários milagres, podendo ser beatificado em setembro de 2015.

Falar sobre Chico Xavier, precisaria de muitas páginas por tudo que sabemos sobre suas grandes virtudes, que já transpuseram fronteiras. Mesmo após a sua partida, cada dia somos surpreendidos por onde passamos com seus feitos maravilhosos, sempre fazendo o bem.

Quem faz o bem, sempre esquece, mas quem o recebe não esquece nunca, passa para a posteridade. Como católico convicto, praticante, confesso; nunca conheci uma pessoa com tantas virtudes, como Chico Xavier! Seu exemplo, fica como uma bandeira imaculada para ser lembrada e seguida; deixou um rastro luminoso para todos nós.

Paulo Miguel de Mesquita – Médico

Uberaba, 08 de março de 2015.

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